A seca está chegando em sua fazenda! E você, pecuarista, está preparado?

Linicius Mendes

Nutricionista de Ruminantes

10 maio 2024
-
4 minutos

Com a seca vem a necessidade de ajustes importantes na estratégia nutricional para o rebanho da fazenda.

Como me preparar para o período seco?

Nosso Nutricionista de Ruminantes, Linicius Mendes, reforça pontos importantes que todo pecuarista deve levar em consideração estrategicamente para enfrentar este período crítico.

As águas de março fecharam o verão e as manhãs mais frias do outono também já estão mais frequentes, enquanto o astro rei passa menos horas por dia nos dando sua luz. Com isso, as pastagens perdem o vigor de crescimento, resultando na redução do acúmulo de forragem nos meses de abril a setembro e secam, perdendo qualidade nutricional.

O foco para se obter sucesso na seca deve estar no planejamento que equalize a oferta de forragem à demanda animal, com ajustes na taxa de lotação e com formas de assegurar o suprimento de volumosos neste período.

Os ajustes na taxa de lotação para seca consistem em reduzir a carga animal sobre os pastos, ou seja, reduzir a demanda. Isto pode ser realizado enviando os animais prontos para o abate, descartando as matrizes vazias após a desmama, utilizando o confinamento estratégico e as áreas que estavam destinadas à lavoura durante as águas – em casos como de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), por exemplo - e até mesmo vendendo o excedente de animais que a fazenda não comportar em suas invernadas.

Do outro lado da equação, podemos adotar medidas que aumentem a oferta de forragem na seca. Algumas destas estratégias para enfrentar essa visita indesejada –  que ocorre todo ano, com maior ou menor intensidade – devem ser planejadas com antecedência, ainda no período de abundância de forragem, nas águas. É o caso do diferimento de pastagens ou da produção de volumosos suplementares armazenados, como a silagem e o feno.

A respeito do diferimento, é ainda no período chuvoso que podemos definir algumas áreas a serem reservadas para serem utilizadas durante a seca. O pasto vedado no verão será pastejadopelo rebanho durante a época de escassez de forragem. Em geral, deve-se vedar pastos com forrageiras de hábito decumbente ou rasteiro, como os capins dos gêneros Brachiaria e Cynodon, evitando as de crescimento cespitoso, como as dos gêneros Panicum e Pennisetum (comumente chamadas de capim-elefante). A área total a ser vedada deve ser de no máximo 40% da área de pasto e em torno de 40% dela deve ser excluída do ciclo de pastejo no meio do período chuvoso, a fim de serem pastejadas na primeira metade do período seco; os outros 60% devem ser vedados no final das águas, podendo-se nessas áreas ser adotada uma adubação nitrogenada estratégica, para serem utilizadas do meio para o final da seca.

Da mesma forma, as áreas de plantio de silagem ou de produção de feno devem ser trabalhadas desde o início das chuvas, pois estas são operações que visam preservar a qualidade da forragem produzida nas águas para serem utilizadas nos momentos de escassez de pasto.

Nos casos em que o planejamento do suprimento de forragem para o período seco falhar e não existirem formas de aumentar a oferta de volumoso para o rebanho nem mesmo ser suficiente ou viável adotar estratégias de redução da carga animal, o produtor pode lançar mão da suplementação concentrada, buscando fornecer boa parte da dieta (de 0,5% a 2% do Peso Vivo) do rebanho no cocho. Neste caso, encaixam-se as estratégias conhecidas como RIP (Recria Intensiva a Pasto), TIP (Terminação Intensiva a Pasto) e semi-confinamento. Com isso, os animais substituem parte da forragem consumida por concentrado, permitindo um melhor ajuste de oferta e demanda de alimentos da dieta. Em outras palavras, usamos grãos para substituir parte do pasto consumido, reduzindo a necessidade de forragem neste tipo de dieta.

Equacionada a questão da oferta em quantidade de alimentos, vamos nos concentrar em resolver a outra alteração essencial ocorrida na seca nas pastagens: a perda de qualidade. Quando comparadas às forragens da estação chuvosa, as forragens apresentam menor quantidade de proteína e minerais e maior proporção de fibras indigestíveis durante o período seco, resultando em menor consumo e aporte energético para os animais empastados.

A queda da qualidade associada à baixa oferta de forragem leva à perda de peso dos animais e isso deve ser evitado a todo custo, pois onera o sistema de produção como um todo. Hoje em dia, até mesmo estratégias que eram usadas no passado para manutenção do peso animal durante a seca são encaradas como ultrapassadas – a depender da fase de produção. Adotar estas estratégias para animais em recria e engorda na seca seria como manter um carro parado com o motor ligado.

A suplementação de NNP (Nitrogênio Não Proteico) e de proteínas de origem vegetal através dos conhecidos sais ureados, minerais adensados e proteinados, visa suprir parte desta perda de valor nutritivo das forragens, melhorando a digestibilidade das fibras presentes, permitindo o melhor aproveitamento da forragem consumida e otimizando o consumo do pasto e o aporte energético. Portanto, uma observação importante é que o sucesso da suplementação com estes produtos está completamente atrelado ao equilíbrio da oferta e demanda do pasto, pois se não houver volumoso disponível não se obterá o resultado esperado com as estratégias de suplementação utilizadas.

A depender da categoria animal, das necessidades e dos objetivos produtivos, o produtor que apresentar boa oferta de forragem nesta época, pode utilizar os chamados suplementos proteicos-energéticos, que além de corrigirem as deficiências proteicas e minerais das forrageiras na seca, fornecem maiores quantidades de proteínas e energia para dieta do gado em relação aos proteinados, adensados e ureados, permitindo maiores taxas de ganho.

Mais um lembrete importante sobre as tecnologias disponíveis para agregar resultados à suplementação dos bovinos no período seco é que não podemos nos esquecer dos aditivos melhoradores de desempenho. Todas as estratégias citadas acima permitem o uso conjunto dos aditivos, que aumentarão o aproveitamento da forragem consumida e viabilizarão a melhora da conversão e o ganho animal. Abrir mão do uso destes ingredientes significa abrir mão de um melhor desempenho zootécnico e de uma maior lucratividade na atividade.


Ainda há tempo para fazer ajustes e garantir o sucesso produtivo nesta estação desafiadora!

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