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Avaliação da qualidade de pintinhos

- A crescente demanda por produtos de origem avícola e a expansão desse mercado, somadas à exigência de que as aves tenham o máximo de desempenho e rendimento, faz com que a produção industrial de pintinhos de um dia, seja de suma importância para o desenvolvimento da moderna indústria avícola. 

Por Thalys Lima, Assistente Técnico de Aves III

Todas as fases que estão relacionadas à produção de pintinhos, desde a criação das matrizes até os processos de uma planta de incubação, são extremamente complexas e diversos são os fatores que podem interferir ou prejudicar a produção e a qualidade dos pintinhos que serão alojados nas granjas.

O desafio é certamente produzir um pintinho de qualidade que tenha a capacidade de se desenvolver e expressar suas principais características. Problemas relacionados a perdas no desenvolvimento inicial não podem ser recuperados e influenciam o resultado da atividade.

O que avaliar e como avaliar?
Essas são perguntas frequentes no dia a dia da avicultura e são esses os pontos que fazem toda diferença no momento de selecionar um bom fornecedor de pintinhos ou de avaliar a qualidade destes quando oriundos da própria empresa.
A avaliação da qualidade dos pintinhos no incubatório ou até mesmo no momento de chegada à granja, é, sem dúvida, uma das principais ferramentas para otimizar programas de incubação, e consequentemente, melhorar os resultados a campo.
De forma simples e prática, gostaríamos de abordar alguns pontos a serem observados no momento da chegada do pintinho à granja:

Ausência de defeitos: um pintinho de boa qualidade precisa apresentar bico e pernas sem lesões e deformidades (Cobb, 2012). Pintos com defeitos terão dificuldade de locomoção e apreensão dos alimentos, provocando baixo consumo de ração e água, e consequente desuniformidade do lote;

Vivacidade: os pintinhos devem estar ativos e distribuídos de maneira uniforme dentro da caixa; colocar o pintinho com as costas voltadas ao solo e avaliar quantos segundos ele demora para ficar em pé (até 3 segundos – ideal), é um teste pertinente de se fazer para avaliar sua vivacidade/reflexo (Cobb, 2018); logo após, verificar a resposta ao estímulo com luz, seja da incubadora ou até mesmo de uma lanterna. Pintinhos com boa vivacidade procuram por água e alimento em um curto espaço de tempo.

Plumagem: a plumagem deve estar seca e com brilho (Cobb, 2012); não pode conter restos de casca ou umidade; plumagens sujas e úmidas podem ser um indicativo de problemas relacionados ao saque da incubadora, janela de nascimento ou com a temperatura no final do ciclo na incubadora.

Hidratação: avaliar a hidratação das aves através dos pés e pernas é recomendado, aves com uma boa hidratação terão pernas e pés brilhosos (Cobb, 2012). Incubatórios de estágio múltiplo podem ter problemas relacionados com pintinhos de matrizes mais novas, que por nascerem antes, acabam tendo maior desidratação. Erros durante o processo de incubação podem implicar em janelas de nascimento prolongadas, aumentando a incidência de desidratação; tempo de espera para envio à granja e condições de transporte, podem ser outros fatores envolvidos.

Umbigo: precisa estar limpo e bem cicatrizado. Os problemas mais comuns são:

- Umbigo aberto e mal cicatrizado
- Umbigo com cordão umbilical
- Umbigo infeccionado
- Umbigo preto ou machucado

Uma série de fatores, desde a qualidade dos processos da granja de matrizes, armazenamento de ovos, pressão de infecção e processo de incubação, estão ligados aos problemas com o umbigo. Umbigos mal cicatrizados facilitam contaminações secundárias e geram aumento de mortalidade inicial (Verschuere, 2016).

Temperatura da cloaca: a temperatura da cloaca refere-se ao bem-estar da ave neonata. A temperatura ideal deve estar entre 40 e 41 ºC (Cobb, 2018). Temperaturas superiores ou inferiores às anteriormente citadas, indicam estresse por calor ou frio, que podem ter ocorrido na sala de espera do incubatório e/ou durante transporte até a granja.

Lesão de jarrete: pintinhos saudáveis não devem apresentar lesão de jarrete. O aparecimento desta lesão é indicativo de ovos com pouco “descanso” ou ainda problemas relacionados com alta umidade durante o processo de incubação; ovos com cascas excessivamente duras, geralmente em matrizes novas, aumentam a incidência dessa ocorrência.

Figura 1. Avaliação de algumas características sobre a qualidade dos pintinhos. A - Adequado; B - Aceitável; C – Inaceitável (COBB, 2018).

Além de todos os pontos citados anteriormente, os pintinhos devem estar livres de quaisquer agentes patológicos que possam comprometer a criação. Entre os principais agentes contaminantes destacamos: salmonella, E. coli, pseudomonas, aspergilus, micoplasmas entre outros. A ausência desses microrganismos, além da obviedade do efeito direto na criação, é indicativo de um bom processo de controle na produção de ovos e incubação.

Outro ponto importante é a imunidade materna para esses pintinhos, apenas conhecendo o aspecto desta e os desafios de campo da região, é que poderemos definir o correto programa vacinal.

Essa avaliação das informações e da qualidade do pintinho, é uma estratégia importante na definição dos ajustes finos durante o manejo pré-inicial. Por exemplo, ao realizar o check list durante o alojamento e observar que os pintinhos alojados são oriundos de uma matriz nova, podemos orientar o cuidador a ter maior atenção com o aquecimento inicial e estímulo das aves.

Na grande maioria das empresas, talvez o check list de avaliação até seja realizado, entretanto, em muitos casos, essas informações ficam na granja, jogadas, sem que sejam analisadas a fundo. É fundamental que essas informações sejam organizadas, armazenadas em forma de dados e avaliadas. Uma boa gestão desses dados é uma excelente ferramenta para rastreabilidade e diagnósticos de eventuais problemas. Através deles, podemos identificar de forma mais ágil e assertiva a origem do problema e realizar possíveis ajustes no manejo e nutrição das matrizes, bem como ajustar processos nos incubatórios, negociar com o fornecedor de pintos de 1 dia melhores condições de qualidade, etc.

Considerações finais
Muitos são os fatores que interferem na qualidade de pintinhos, portanto, esse é um processo bastante complexo que envolve muitas frentes de trabalho. Quanto antes se iniciar os controles e acompanhamento dos padrões de qualidade das aves, maior a possibilidade de alcançar bons resultados. É importante ressaltar que aves que apresentam boa qualidade desde o alojamento são “mais resistentes” a desafios que possam surgir durante a vida do lote. Tendo em vista a possível restrição ao uso de antibióticos melhoradores de desempenho, novos desafios surgirão e a qualidade do pinto de 1 dia será um fator imprescindível para a manutenção dos excelentes resultados da avicultura brasileira.

Referência
COBB. Manual de manejo de frangos de corte. São Paulo: Cobb-Vantress Brasil, 2012. 65p.
COBB. Manual de manejo de frango de corte. São Paulo: Cobb-Vantress Brasil, 2018. 105p.
NEVES, A. C. R. S. Maximização do Fluxo Operacional em Incubatório Comerciais. In: VII Simpósio Goiano de Avicultura e II Simpósio Goiano de Suinocultura - Avesui Centro-Oeste Anais eletrônicos...[online]. Goiânia, 2005. Disponível em: http://www.cnpsa.embrapa.br/downphp?tipo=publicações&cod_ publicacao=497. Acesso em: 03 fev. 2021.
VERSCHUERE, F. Avaliação da qualidade de pintinhos e otimização da incubação. 2016. Dísponível em:https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-de-pintinhos-e-otimizacaeo-da-incubacaeo-2/. Acesso em: 27 jan. 2021.